Nunca fiz o luto. Não morreste.
As flores que te adornam são as dos sorrisos mornos e dos olhares cúmplices.
Somos ainda naquele verão. Serás sempre naquele verão.
Foi assim que quebrámos as leis do tempo e do espaço e te sei sentado a meu lado, mãos entrelaçadas, olhos no pôr do sol.
Olha para nós, envelhecidos, cansados. O silêncio basta-nos. Fomos felizes, somos felizes ainda, como naquele verão.
Conheço-te nos filhos que não tivemos, reconheço o teu espírito nas memórias das viagens que não fizemos. És tu ainda, sempre tu, não fiz o luto. Tu nunca morreste.
O futuro que não foi, cristalizado naquele verão. No parto dos sonhos conjuntos e precocemente falecidos.
Sei que estás aí ainda, mas uma vida não bastou.
Não te reconheço doce fantasma.
Não me reconheço. Nunca serei aquela a olhar o pôr do sol. O ventre dos nossos filhos. Não darei um único passo para te acompanhar. Mas serei para sempre aquela, ainda naquele verão prenhe de promessas, sonhos e certezas infinitas.
Seremos sempre aqueles e aquele futuro por nascer. Consigo ver-nos. Sei-te. És-me.
Estás para lá da vida, mas eu não fiz o luto. Tu não morreste.
E como nós, outros.
Vivemos no mundo dos fantasmas cúmplices.
As flores que te adornam são as dos sorrisos mornos e dos olhares cúmplices.
Somos ainda naquele verão. Serás sempre naquele verão.
Foi assim que quebrámos as leis do tempo e do espaço e te sei sentado a meu lado, mãos entrelaçadas, olhos no pôr do sol.
Olha para nós, envelhecidos, cansados. O silêncio basta-nos. Fomos felizes, somos felizes ainda, como naquele verão.
Conheço-te nos filhos que não tivemos, reconheço o teu espírito nas memórias das viagens que não fizemos. És tu ainda, sempre tu, não fiz o luto. Tu nunca morreste.
O futuro que não foi, cristalizado naquele verão. No parto dos sonhos conjuntos e precocemente falecidos.
Sei que estás aí ainda, mas uma vida não bastou.
Não te reconheço doce fantasma.
Não me reconheço. Nunca serei aquela a olhar o pôr do sol. O ventre dos nossos filhos. Não darei um único passo para te acompanhar. Mas serei para sempre aquela, ainda naquele verão prenhe de promessas, sonhos e certezas infinitas.
Seremos sempre aqueles e aquele futuro por nascer. Consigo ver-nos. Sei-te. És-me.
Estás para lá da vida, mas eu não fiz o luto. Tu não morreste.
E como nós, outros.
Vivemos no mundo dos fantasmas cúmplices.